Parte 1
Versículo-Chave. II Co 6.14
Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas?
Rejeição à comunhão
com os incrédulos, que é uma transigência (Não
vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a
justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? II Co 6.14).
Aqueles que imitassem
o amor de Paulo haveriam de amar seu Deus e a seu Cristo, bem como haveriam de abominar
aquilo que ele também abominava. O apóstolo esperava que os seus filhos
espirituais - Ora, em recompensa disto, (falo como a filhos)
dilatai-vos também vós - II
Co 6.13 - compartilhassem de seus afetos e aversões, de
suas vinculações e separações, no que dizia respeito ao bem e ao mal. Se
porventura amassem a ele e ao seu Mestre, estariam prontos para tomar tais atitudes
com alegria. Portanto, o laço geral de comunhão e amor, na igreja, requer uma certa
separação comum de tudo quanto é prejudicial, incluindo as associações inconvenientes.
É normal que uma família (em que os filhos são influenciados pelos seus
genitores) compartilhem de determinados ideais comuns, apreciações e aversões,
bem como de certos preconceitos, e, às vezes, até mesmo de certos elementos
prejudiciais. A família divina naturalmente não compartilhará de qualquer coisa
prejudicial; mas o apóstolo dos gentios esperava que os seus membros tivessem
um alicerce comum no que diz respeito ao mal, no que tange às associações comprometedoras.
O décimo oitavo versículo deste capítulo reitera o conceito da paternidade de
Deus, bem como as exigências a nós impostas, no tocante a essa particularidade
(E eu serei para vós Pai, E vós sereis
para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso. II Co 6.18).
Contudo, ainda outros
motivos de separação do mal, no caso do crente, são ventilados, a saber:
1. Existe uma distinção
natural, sobre bases morais, entre o crente e o incrédulo (décimo terceiro versículo
- Ora,
em recompensa disto, (falo como a filhos) dilatai-vos também vós.).
2. O crente
representa certo aspecto da "justiça de Deus", a implantação da
natureza moral divinal, o que o incrédulo não possui; por isso, mesmo, certas
formas de associação com os incrédulos podem corromper a expressão de justiça
dos crentes (décimo quarto versículo - Não
vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a
justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? ).
3. O crente
representa a luz, mas o incrédulo representa as trevas. Algumas formas de
associação com os incrédulos podem empanar a luz da glória do Senhor Jesus, na
vida do crente.
4. Há certas
modalidades de associação que requerem sociedade, comunhão intima. Um
crente não pode estabelecer tais associações com incrédulos, porquanto não existe
base firme para a comunhão necessária a tais relações (ver o décimo quarto
versículo).
5. O crente e o
incrédulo são representantes de reinos diferentes e opostos um ao outro,
impossíveis de serem reconciliados. Portanto, não podem associar-se com certa intimidade
sem provocar um conflito. (décimo quinto versículo - E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? ).
6. Os crentes em
Cristo não podem concordar sobre as questões mais importantes da fé com os
incrédulos, os quais não recebem e nem respeitam a Jesus de Nazaré como o seu
cabeça; por esse motivo não podem associar-se mui intimamente em empreendimento
algum(II Co 6.15).
7. A comunhão entre o
crente e o Espírito de Deus é tão intima que o Senhor faz do crente um templo
seu. Habita o Espírito Santo nos crentes, individualmente (como aqueles que
pertencem a Cristo) e coletivamente (como igreja). Portanto, um crente não pode
ter qualquer conexão com a idolatria, em nenhuma de suas variadas formas, de modo
a reconhecer poderes e influências estranhas de natureza religiosa.
A presença permanente
do Espírito do Senhor requer vida de santidade que não pode ser mantida se o
crente insistir em suas associações más. O templo de Deus é corrompido por
essas associações intimas com os incrédulos. (II Co 6.16 “ E que consenso tem o templo de Deus com os
ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles
habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”).
8. O crente faz parte
do povo de Deus. Isso fala sobre possessão e direitos diversos. Não pertencemos
a nós mesmos, mas antes, fomos comprados por grande preço; e isso requer uma
conduta agradável ao proprietário dos templos que são os remidos, I Co 6.19,20,
que fala sobre o mesmo tema, ainda que mais diretamente (“Ou
não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus.”). E ainda sobre
associação fala I Co 6.16 – “Ou não
sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque
serão, disse, dois numa só carne”.
9. Há uma promessa de
serem recebidos em comunhão especial com o Senhor aqueles crentes que se
separarem de associações comprometedoras com o mundo (I Co 6.17 - Mas o que se ajunta com o Senhor
é um mesmo espírito.). A paternidade de Deus, para com os
seus filhos, exige essa separação; os membros da família santa têm um alto
padrão a ser mantido. (I Co 6.18 – “Fugi
da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se
prostitui peca contra o seu próprio corpo.”).
Versículo-Chave. II Co
6.14
Não vos prendais a um
jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a
injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas?
Paulo não diz aqui
que os crentes não podem associar-se aos incrédulos. Alguns dos membros da
igreja cristã de Corinto haviam compreendido algumas instruções apostólicas sob
essa luz, conforme se vê em I Cor. 5.1 e ss. Paulo os avisara a não
"manterem companhia" com os "fornecerias" ou pessoas
imorais. Contudo, ele certamente não indicava os incrédulos, porque, nesse
caso, seria virtualmente necessário aos crentes saírem do próprio mundo,
porquanto quase todos os habitantes deste mundo se fazem culpados de alguma
forma de pecado moral. Pelo contrário, se alguém que se diz crente tomar-se
culpado dessas formas de pecado, deve ser excluído da comunhão, pública e
particular, pelos demais crentes, a fim de que aprenda a seriedade do pecado e,
finalmente, chegue ao arrependimento. Paulo não proibia associações dos crentes
com os incrédulos em muitíssimas outras coisas, já que tal separação seria
impossível. No entanto, condenou certas relações intimas.
Fonte: Biblia Sagrada
Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia - Vol 6 -Champlin, Ph. D.
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